ENTRE RASTROS E DESLOCAMENTOS: A DESCONSTRUÇÃO COMO ABORDAGEM DE LEITURA DA DOCÊNCIA EM FORMAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.22410/issn.1983-0378.v46i2a2025.4290Palavras-chave:
educação de pós-graduação em Odontologia, formação docente, desconstruçãoResumo
Este trabalho analisou atividades e aulas produzidas por 45 estudantes de pós-graduação stricto sensu em Odontologia, participantes da disciplina de metodologia de ensino na saúde. O grupo incluiu 14 estudantes de mestrado do primeiro semestre de 2024 e 31 estudantes (28 de mestrado e 3 de doutorado) do primeiro semestre de 2025, que, a partir de discussões teóricas, elaboraram e ministraram aulas para seus colegas e professores. Parte-se da compreensão da docência como acontecimento, rastro e invenção, em constante devir, valorizando a linguagem, a experiência e o que escapa ao controle didático. O objetivo foi compreender como estudantes de mestrado e doutorado produzem sentidos sobre a docência em saúde, utilizando a desconstrução como gesto analítico para escutar deslocamentos e reinvenções na formação docente. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que analisou atividades registradas em vídeo e diário de campo, tornadas em texto. A análise, inspirada na leitura que fazemos da obra de Derrida (2005), compreendeu a desconstrução como atitude teórico-política, envolvendo a escolha de conceitos, a identificação de tensões, o acolhimento da indecidibilidade e procedimentos tradutórios. Os textos foram lidos como rastros que desestabilizam sentidos fixos, revelando tensões entre ensino prescritivo e práticas criativas. Os participantes apresentaram deslocamentos conceituais sobre avaliação, protagonismo, tradução e invenção, indicando que o saber docente emerge no encontro e na errância. A experiência de planejar aulas gerou desconfortos produtivos e vivências da indecidibilidade. A docência foi compreendida como prática aberta, instável e poética. Nesse processo, a desconstrução mostrou-se potente para sustentar multiplicidades e acolher o imprevisível, permitindo que o processo formativo se configurasse como espaço de criação e abertura ao novo.
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