Coordenação: Daiane Heidrich
Pesquisadores:Daiane Heidrich
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul - FAPERGS
Fusarium é um gênero de fungo filamentoso responsável por causar infecções superficiais, subcutâneas e sistêmicas, denominadas de fusariose, que acometem principalmente pacientes com comorbidades e imunocomprometidos. Nestes pacientes, a taxa de mortalidade decorrente de infecção por fusariose invasiva é de 75%. Fusarium sp. é multirresistente, apresentando sensibilidade restrita a poucos fármacos, como anfotericina B e voriconazol. Desta forma, faz-se necessária a implementação de novos fármacos para uso no tratamento da fusariose. Para tanto, torna-se de extrema relevância identificar alvos terapêuticos promissores. Estes podem, por exemplo, constituir enzimas que compõem vias metabólicas de grande importância para este fungo. A via do chiquimato, que leva a biossíntese de corismato, o precursor dos aminoácidos aromáticos tirosina, triptofano e fenilalanina, está presente em fungos (além de bactérias, algas, plantas e parasitas do filo Apicomplexa), mas encontra-se ausente em mamíferos. As proteínas 3-desoxi-D- arabinoheptulosonato 7-fosfato sintase (DAHP sintase) e corismato sintase são, respectivamente, a primeira e a última enzima da via, se destacando das demais em fungos por serem funcionalmente independentes, podendo representar promissores alvos terapêuticos. Assim, propomos estas enzimas, e a reações catalisadas pelas mesmas, como alvos de estudo funcional e estrutural. A partir disto, serão selecionadas moléculas com potencial inibitório para as mesmas, e serão realizados testes in vitro para mensurar seus potenciais antifúngico, de mutagenicidade e de citotoxicidade. Estes estudos devem contribuir para guiar o desenvolvimento de novos fármacos com toxicidade seletiva contra espécies de Fusarium, de forma a otimizar os já comprometidos tratamentos disponíveis.
Daiane Heidrich
BRF Brasil Foods
A pandemia da Doença por Coronavírus 2019 (COVID-19), causada pelo Coronavírus de Síndrome Respiratória Aguda Grave 2 (SARS-CoV-2), gerou a busca de métodos diagnósticos sensíveis, rápidos, específicos e de menor custo para atender a demanda. O método padrão-ouro de diagnóstico laboratorial é a Reação em Cadeia da Polimerase da Transcrição Reversa em Tempo Real quantitativa (RT-qPCR). No entanto, este método tem custo elevado e pode ser demorado até a entrega do laudo laboratorial. Método metabolômicos, como Espectroscopia no Infravermelho com Transformada de Fourier (FTIR), têm sido utilizados como ferramentas diagnósticas em diversas áreas da saúde, inclusive em infecções virais, e apresentam a vantagem de serem rápidos e de custo baixo. Neste contexto, o objetivo deste projeto é desenvolver modelos por FTIR para diagnóstico e para predição de respostas individuais à COVID-19. Para estas análises, serão convidados todos os clientes particulares que realizarão coleta presencialmente no Laboratório de Análises Clínicas da Univates (LAC Univates) num período de seis meses. Os dados dos clientes que aceitarem participar serão coletados, bem como secreções nasofaríngeas, saliva e sangue. Para desenvolvimento de modelos de diagnóstico utilizando saliva, soro e/ou sangue total, será utilizado resultado RT-qPCR das secreções nasofaríngeas como método de referência. Para possibilitar modelos de predição de sintomas e complicações, será aplicado aos participantes RT-qPCR positivos um questionário na data da coleta e 14 dias posterior a mesma, para identificar sintomas e complicações ocorridos no período. Com as modelagens propostas, em uma única aplicação da saliva, soro e/ou sangue total de um indivíduo no equipamento FTIR, serão obtidos resultados relacionado à detecção e/ou quantificação de SARS-CoV-2 em poucos minutos de avaliação espectral e com a mesma sensibilidade e especificidade do RT-qPCR, apresentando uma tecnologia alternativa que possa ser utilizada pela população do Vale do Taquari. Os possíveis modelos de predição de sintomas e complicações relacionados ao processo infeccioso poderão auxiliar no manejo desta doença, como introdução de medidas profiláticas e preventivas de forma individualizada.