CRESCIMENTO ECONÔMICO, POLARIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO GEOGRÁFICO DESIGUAL: UMA INTERPRETAÇÃO DA QUESTÃO REGIONAL BRASILEIRA
DOI:
https://doi.org/10.22410/issn.1983-036X.v33i3a2026.4625Palavras-chave:
desenvolvimento regional, desigualdades regionais, heterogeneidade estrutural, desenvolvimento geográfico desigualResumo
O artigo analisa a permanência do debate acerca do trade-off entre crescimento econômico e equilíbrio regional, tomando como referência a persistente desigualdade entre Nordeste e Centro-Sul no Brasil. Busca responder em que medida o crescimento econômico tende a produzir convergência territorial e por que as disparidades regionais brasileiras permanecem elevadas mesmo após sucessivos ciclos de crescimento, integração de mercados e intervenção estatal. Parte-se do pressuposto de que o crescimento econômico tende a produzir processos iniciais de concentração espacial e polarização regional, cuja persistência ou reversão depende das estruturas produtivas existentes, das capacidades institucionais dos territórios e da ação das políticas públicas. O objetivo consiste em analisar o debate teórico sobre o trade-off entre crescimento econômico e equilíbrio regional, articulando-o a uma interpretação histórico-estrutural da desigualdade Nordeste–Centro-Sul. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa bibliográfica de caráter analítico-crítico, fundamentada em revisão narrativa crítica da literatura especializada e orientada por uma abordagem histórico-estrutural inspirada no estruturalismo latino-americano, na economia regional e na economia política do desenvolvimento. Os resultados indicam que a persistência da questão regional brasileira não decorre de um trade-off inevitável entre crescimento e equilíbrio territorial, mas da interação histórica entre mecanismos de causalidade cumulativa, heterogeneidades estruturais e processos de desenvolvimento geográfico desigual. Mesmo após sucessivos ciclos de crescimento econômico e integração do mercado nacional, persistem expressivas diferenças regionais de produtividade, renda e estrutura produtiva. Conclui-se que a redução efetiva das assimetrias regionais exige estratégias capazes de articular crescimento econômico, transformação produtiva, fortalecimento das capacidades territoriais e justiça territorial.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Boanerges De Freitas Barreto Filho, Francisco do Ó de Lima Júnior

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
