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10 Julho de 2017

Laboratório de Acarologia descreve nova espécie de ácaro

Descrever cientificamente uma nova espécie de ácaro já não é novidade para um grupo de pesquisadores da Univates, que se tornou referência nesta área. Uma das etapas da descrição consiste em nomear a nova espécie, o que geralmente se dá em função de alguma característica do ser vivo ou em homenagem a pessoas que auxiliaram ou se destacaram no processo. Foi justamente desta forma que o ácaro Pseudopronematulus nadirae foi nomeado recentemente.

O nome homenageia Nadir Silva da Costa, mãe da estudante Tairis Costa, que foi assassinada em Taquari em 7 de julho de 2016. De acordo com o professor Juarez  Ferla, ao nomear-se uma nova espécie em homenagem a alguém, imortaliza-se o nome da pessoa. “Daqui a 100 ou 200 anos, e sempre que alguém citar essa espécie, estará lembrando dela, e essa foi a forma que encontramos para homenageá-la e à Tairis”, afirmou Ferla.

A homenagem se deu devido à participação de Tairis no processo de descrição do ácaro. Bolsista de iniciação científica, ela foi responsável por fazer a descrição morfológica da espécie. “É um processo bastante demorado, envolve cerca de um mês na preparação dos desenhos, além de haver um levantamento mundial antes disso, que compara medidas e estruturas com o objetivo de verificar se a espécie já foi descrita”, explica a bolsista.

Sobre a homenagem, Tairis diz ser gratificante. “Minha mãe sempre me incentivou a estudar e me apoiou muito. Fiquei feliz, pois quero continuar na área em que já começo a ser vista”, afirma.

Em relação ao ácaro descrito, Ferla explica que ele foi enviado por pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Entomologia da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Minas Gerais. Espécimes desse ácaro predador foram encontrados em plantas de lichia (Litchi chinensis) realizando o controle biológico de uma importante praga que danifica as folhas dessa planta. “Eles perceberam que se tratava de uma nova espécie e nos procuraram para realizarmos a descrição, devido a importância da espécie como predador e por sermos referência em trabalhos com esse grupo”, explica.

O trabalho foi realizado pelo Laboratório de Acarologia - vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sistemas Ambientais Sustentáveis (PPGSAS) e ao Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari (Tecnovates), e publicado no periódico Systematic & Applied Acarology e pode ser conferido aqui.

Texto: Nicole Morás

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