Pesquisa analisa uso de óleos essenciais de plantas condimentares contra microrganismo que afeta alimentos

Postado em 27/11/2017 09h14min e atualizado em 27/11/2017 09h19min

Por Nicole Morás

Nicole Morás

Não é à toa que nossas avós utilizavam plantas condimentares para cozinhar: um estudo vinculado à pesquisa “Estudo químico e atividade biológica de plantas nativas adaptadas ao RS” dos Programas de Pós-Graduação em Biotecnologia (PPGBiotec) e Ambiente e Desenvolvimento (PPGAD) da Univates apontou que certos temperos naturais têm um bom efeito contra microrganismos que afetam alimentos, especialmente as carnes.

A pesquisa faz parte do trabalho de conclusão do curso de Farmácia realizado pela diplomada Marcela Radaelli, que verificou a eficiência dos óleos essenciais de alecrim, erva-doce, hortelã, manjericão, manjerona e tomilho contra o Clostridium perfringens, um microrganismo bastante presente em carnes e responsável por doenças transmitidas por alimentos tanto no Brasil como nos Estados Unidos.

De acordo com o professor do PPGBiotec e do PPGAD Eduardo Ethur, cada óleo teve algum tipo de ação contra a bactéria. “Foi possível verificar que, mesmo em plantas secas há mais ou menos um ou dois anos, os óleos essenciais apresentaram ação antimicrobiana contra Clostridium perfringens, um microrganismo que causa diversos tipos de sintomas, desde dor estomacal até diarreia grave. Essa bactéria pode contaminar uma gama enorme de alimentos, como os embutidos”, explica o docente.

Conforme Ethur, foram utilizadas apenas plantas cultivadas de forma orgânica e de produtores regionais. “Não há garantia da origem do material industrializado, assim, para evitar algum tipo de interferência, como o uso de pesticidas, optamos por plantas próximas ao vencimento justamente para verificar se ainda haveria ação contra o microrganismo, e confirmamos que sim. Assim, é correto utilizar essas plantas como ‘protetoras’ dos alimentos. Temperar a carne com algumas dessas plantas, cujo óleo está estruturado na sua composição, contribui para que haja um efeito protetor, podendo ser uma alternativa para a indústria”, esclarece ele.